ATRASE SEU RELÓGIO ALGUNS INSTANTESViva a vida como se estivesse vivendo pela segunda vez e não pela única vez. Viva cada dia como uma segunda oportunidade para mudar seus erros e não como se ele fosse o último momento de sua existência. Considerando como a última oportunidade para tudo, escolhemos aquilo que gera mais prazer, felicidade e recompensa a curto prazo (utilitarismo). Sendo a segunda vez, uma repetição daquilo que já vivemos, enxergamos a realidade como oportunidade de mudança do que foi feito de errado no passado - dessa vez não podemos errar - e nossas ações tendem a escolher o que é digno, honroso e que trará retornos a longo prazo. Nessa perspectiva o presente se torna passado e, pela primeira vez em nossas vidas, temos a oportunidade de mudar o passado, uma segunda chance. Assim, há segurança em nossos corações de que esse momento não é o último. E se for o último pelo menos fizemos o que era para ser feito. As paixões e vaidades humanas diminuem e continuamos a buscar o tesouro verdadeiro - aquilo que permanece para além do agora.
Quem olha o hoje como a única oportunidade para viver não viveu de verdade e não prezou por construir uma história - colheu tudo o que tinha para colher no mesmo dia/momento e seus depósitos de alimento para alma estão vazios. Repare por detrás dessa face, ela esconde ansiedade e angústia pelo que virá. Ela esconde arrependimento pelo que viveu.
A vida não é um momento, na verdade é um amontoado de vivências e experiências, boas e ruins, que compõe a sua história.
Atrase seu relógio alguns instantes. Vou te contar um segredo: ao nascer o coração humano é adiantado, por isso vivemos ansiosos com o amanhã. Isso nos aflige e perturba. Sendo assim, se atrasarmos na verdade estamos regulando o ponteiro para o momento em que deveria estar: o agora.
João Peixoto
Quadro: "A persistência da memória" Salvador Dalí 1931
Quadro: "A persistência da memória" Salvador Dalí 1931

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